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A primeira dose da CoronaVac dá algum grau de proteção?
Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e neurocientista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgadora científica pela Rede Análise COVID-19, fala que a primeira dose da vacina já garante uma certa proteção contra o vírus.
"Estudos indicam que 14 dias após a primeira dose é possível observar uma proteção conferida pela vacina. Mas precisamos lembrar que tomar as duas doses no intervalo de até 21 dias é muito importante para uma proteção mais abrangente e potencialmente mais duradoura", disse.
Um estudo feito em Manaus com 67.718 trabalhadores da saúde mostrou que a CoronaVac tem 50% de efetividade contra casos sintomáticos da doença após 14 dias da primeira dose. No entanto, para que a pessoa atinja a imunidade esperada, é necessário cumprir o esquema vacinal de duas doses.
A eficácia diminui se a aplicação da segunda dose atrasar?
De acordo com Paola Minoprio, doutora em Imunologia pela Universidade Pierre e Marie Curie (França), não há grandes problemas em atrasar um pouco a segunda dose. "O sistema imunológico não conhece dias, conhece processamento. Se o reforço atrasar um pouquinho, não tem problema, porque o sistema vai ser capaz de reconhecer esse reforço e de preparar a resposta", diz.
Ela explica que os estudos da CoronaVac analisaram um intervalo de 14 dias entre a primeira e a segunda dose. No entanto, tomar a segunda dose até seis semanas após a primeira não deve trazer prejuízos. "Mas também não podemos esperar indefinidamente", aponta.
Mellanie reforça que ainda não há dados contundentes para intervalos maiores entre as doses. "Desta forma, precisamos seguir o regime indicado pela agência reguladora e por essas bulas. Mas, atrasos de poucas semanas, que fiquem próximos do intervalo estabelecido, possivelmente terão pouco impacto na proteção", diz.
Por outro lado, o imunologista Jorge Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP, acredita que ampliar o prazo de aplicação entre as doses da CoronaVac poderia conferir maior grau de proteção. "Apesar de não ter sido testado, a gente sabe disso por outros tipos de vacina", fala.
Qual o prazo para a segunda dose da CoronaVac?
De acordo com os estudos realizados sobre a vacina, o ideal é que a segunda dose seja aplicada entre 14 e 28 dias após a primeira.
Por que o intervalo para a segunda dose da CoronaVac é menor em comparação a outras vacinas?
O doutor Kalil explica que os estudos foram feitos com o intervalo de 14 dias porque havia pressa pela aprovação da vacina.
Inicialmente, o intervalo previsto entre a primeira e a segunda dose das vacinas de Oxford/AstraZeneca e da Pfizer também era mais curto, mas com o tempo os pesquisadores perceberam que um prazo maior para aplicação do reforço poderia ser mais benéfico.
É necessário repetir a primeira dose se a segunda atrasar?
A doutora Minoprio e o doutor Kalil afirmam que não é necessário repetir a primeira dose.
Posso tomar a segunda dose de outra vacina?
Alguns países, como o Reino Unido, estão conduzindo estudos sobre as consequências da combinação de diferentes vacinas contra a covid-19. No entanto, ainda não há resultados dessas pesquisas e até o momento essa interação entre os imunizantes é desconhecida.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a mistura de vacinas diferentes. No início do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que "estudos clínicos em andamento não contemplam a previsão de intercambialidade de vacinas".
CoronaVac é eficaz contra novas variantes?
Resultados preliminares de um estudo feito com 67.718 trabalhadores da saúde de Manaus mostram que a CoronaVac é eficaz contra a variante P.1. Segundo a pesquisa, a vacina tem 50% de efetividade contra casos sintomáticos da doença após 14 dias da primeira dose.

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